VIBRAÇÕES DO PENSAMENTO
O Espiritismo, por
uns considerado perigoso, por outros vulgar e pueril, quase só é conhecido
pelo povo sob seus aspectos inferiores. São os fenômenos mais materiais
que atraem de preferência a atenção e provocam apreciações desfavoráveis.
Esse estado de coisas é devido aos teoristas e vulgarizadores que, vendo
no Espiritismo uma ciência puramente experimental, descuram ou repelem por
sistema, algumas vezes com desdém, os meios de cultivo e elevação mental
indispensáveis para se produzirem manifestações verdadeiramente imponentes
entre o estado físico vibratório dos experimentadores e o dos Espíritos
suscetíveis de produzir fenômenos de grande alcance, e nada se faz no
sentido de atenuar essas diferenças. Daí a penúria de altas manifestações
comparadas à abundância dos fenômenos vulgares.
O resultado é que
inúmeros críticos, só conhecendo da questão a sua face terra-a-terra,
constantemente nos acusam de edificar sobre fatos mesquinhos uma doutrina
demasiado ampla. Mais familiarizados com o aspecto transcendental do
Espiritismo, reconheceriam que nada exageramos; ao contrário, nos temos
conservado abaixo da verdade.
Quaisquer que sejam
as relutâncias dos teóricos positivistas e “antimísticos”, forçoso será
ter em conta as indicações dos homens competentes, sem o que viria a
fazer-se do Espiritismo mísera ciência, cheia de obscuridades e perigosa
para os investigadores.
O amor da ciência
não basta, disse o professor Falcomer; é indispensável a ciência do amor.
Nos fenômenos não temos que nos haver unicamente com elementos físicos,
mas com agentes espirituais, com entidades morais, que, como nós, pensam,
amam, sofrem. Nas profundezas invisíveis, a imensa hierarquia das almas se
desdobra, das mais obscuras às mais radiosas. De nós depende atrair umas e
afastar as outras.
O único meio
consiste em criarmos em nós, por nossos pensamentos e atos, um foco
irradiador de luz e de pureza. Toda comunhão é obra do pensamento. O
pensamento é a própria essência da vida espiritual. É força que vibra com
intensidade crescente, à medida que a alma se eleva, do ser inferior ao
Espírito puro e do Espírito puro até Deus.
As vibrações do
pensamento se propagam através do espaço e sobre nós atraem pensamentos e
vibrações similares. Se compreendêssemos a natureza e a extensão dessa
força, não alimentaríamos senão altos e nobres pensamentos. Mas o homem se
ignora ainda, como ignora as imensas capacidades desse pensamento criador
e fecundo que nele dormita e com o qual poderia renovar o mundo.
Em nossa fraqueza e
inconsciência, atraímos na maior parte das vezes Espíritos maus, cujas
sugestões nos perturbam. É assim que a comunicação espiritual, em
conseqüência de nossa inferioridade, se obscurece e desvirtua; fluidos
corrompidos se espalham pela Terra, e a luta entre o bem e o mal se
empenha no mundo oculto como no mundo material.
Na atração dos
pensamentos e das almas consiste integralmente a lei das manifestações
psíquicas. Tudo é afinidade e analogia no Invisível. Investigadores que
sondais o segredo das trevas, elevai bem alto, pois, os pensamentos, a fim
de atrairdes os gênios inspiradores, as forças do bem e do belo.
Elevai-os, não somente nas horas de estudo e experiências, mas
freqüentemente, a todas as horas do dia, como um exercício regenerador e
salutar. Não esqueçais que são esses pensamentos que vão lentamente
eterizando e purificando o nosso ser, engrandecendo as nossas faculdades e
tornando-nos aptos a experimentar as mais delicadas sensações, fonte de
nossas felicidades futuras.
(Léon Denis - No
Invisível).
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